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domingo, 15 de novembro de 2015

É uma catástrofe, não há como dimensionar os danos. Creio que levaremos o menos vinte anos para reverter parte do processo.



  SINTETIZA BEM A SITUAÇÃO.

  RESPONSÁVEIS: a empresa VALE/Samarco, governos
estadual, federal e municipais.

VÍTIMAS: população da bacia hidrográfica do Rio Doce,
fauna e flora ribeirinhas, chão do rio pavimentado pela lama.

A Samarco Mineração S.A., fundada em 1977, é controlada 
através de uma joint-venture entre a Vale S.A. e a anglo-
australiana BHP Billiton, cada uma com 50% das ações da 
empresa. Possui sede na capital mineira e mantém 
unidades industriais nos municípios de Mariana e Ouro
 Preto, bem como no município capixaba de Anchieta, na
unidade de Ponta Ubu. Na unidade mineira de Germano
localizam-se a mineração e o beneficiamento inicial do 
minério de ferro. No Espírito Santo, estão a pelotização do
minério de ferro e o Porto de Ubu, bem como um escritório
na cidade de Vitória para as operações de comércio exterior
e câmbio. É a décima maior exportadora do Brasil, com
clientes em mais de 20 países.
Conforme pesquisou o professor Antonio Julio Menezes
Neto, veja quem controla a VALE.
" A Vale é controlada pela Valespar, que detêm 53,3% do capital.
Quem controla a Valespar? A Previ, fundo de previdência do
Banco do Brasil, com 49% das ações, o BNDES par com 9,5%,
a Bradespar com 17,4% e a Mitsui com 15% e outros menores.
Portanto, temos um quadro surreal em que a Vale é controlada, majoritariamente, 
por um fundo ligado ao governo e sindicatos".


Bento Rodrigues foi tomado pela lama que saiu das barragens e ficou devastado

Periodicamente a tragédia se repete: Barragens de  Contenção de Resíduos de Mineração se  rompem  causando morte e destruição. O rompimento das barragens de Fundão e de Santarém, em Mariana (MG), foi mais um capítulo na triste história que envolve incidentes que causaram mortes, destruição ambiental e deixam seqüelas.
Minas Gerais é o Estado com maior número de ocorrências. Nos últimos anos temos os seguintes registros:
· Setembro de 2014, o rompimento da barragem de uma mina em Itabirito. Três operários morreram e cinco ficaram feridos.
· Janeiro de 2007, a barragem com rejeitos da mineradora Rio Pomba Cataguases rompeu e inundou as cidades de Miraí e Muriaé com mais de 2 milhões de litros de lama de bauxita. Mais de 4.000 pessoas ficaram desalojadas e 1.200 casas foram atingidas.
· Março de 2006, um outro vazamento durou três dias. Naquela ocasião, os 400 milhões de litros de resíduos de tratamento de bauxita -- água e argila -- atingiram um córrego da região e chegaram ao Rio de Janeiro. 
· Março de 2003, outra barragem de rejeitos industriais em Cataguases se rompeu e despejou cerca de 1,4 bilhão de litros de lixívia negra, resíduo da produção de celulose, contaminaram o rio Paraíba do Sul e córregos próximos por 200 quilômetros, atingindo também o interior do Rio de Janeiro e deixando 600 mil pessoas sem água. Peixes e outros animais que viviam às margens dos rios morreram.
· Em 2001, cinco operários morreram após rompimento de parte de uma barragem de contenção de minério em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. A barragem de Macacos levou lama e resíduos de mineração, que encobriram dois quilômetros de uma estrada. O acidente também causou assoreamento, degradação de cursos hídricos e destruição de mata ciliar. 
· Em 1986, em Itabirito, sete pessoas morreram no rompimento da barragem de rejeitos da Mina de Fernandinho, do grupo Itaminas.

Apos  cada tragédia os proprietários e o governo prometem a adoção de medidas  de prevenção e controle para que a situação não se repita, mas as promessas ficam só no discurso. Estamos  cansados de discursos inócuos.
Aqui em Minas Gerias, após um desses acidentes foi criada  a obrigação das  empresas de cadastrar todas as barragens de rejeitos existentes, e periodicamente  contratar auditoria externa para produzir relatórios sobre sua estabilidade. Os relatórios são encaminhados aos órgãos  ambientais  e, via de regra, arquivados sem nenhuma analise sobre sua consistência. Conferir as informações in loco, nem pensar.
O Sistema Ambiental  Mineiro esta sucateado, não existem recursos humanos e financeiros para  que funcione de forma minimamente aceitável. Licenças  Ambientais, Outorgas e outras permissões são concedidas baseadas nos relatórios fornecidos pelos empreendedores. Não existe fiscalização antes  nem  depois das concessões,  tudo é cartorial, papel e mais papel.
Dentro desse  quadro o governo envia Assembléia Legislativa em regime  de urgência projeto de lei  que altera o sistema ambiental, desmontando a uma peça que funciona bem o COPAM. Dentro dessa perspectiva o futuro será sombrio para o meio ambiente no Estado de Minas que continuará relegado a segundo plano.
 
Onda de Poluentes chega ao Vale do Aço, contaminando o Rio Doce 
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Os danos ambientais causados pela passagem da enxurrada de lama, provocada pelo rompimento de barragens da Samarco em Mariana (MG), foram drásticos, devem se estender por ao menos duas décadas, e, mesmo assim, a restauração total é tida como impossível, segundo ambientalistas ouvidos pelo UOL.
A lama "cimentou" o bioma e pode até ter causado a extinção de animais e plantas que só existiam ali --a natureza local morreu soterrada.
Além disso, a bacia do rio Doce ficou vulnerável e terá de criar um novo curso.
A flora e a fauna dos rios Gualaxo do Norte e Doce nunca mais serão as mesmas."A perda de habitat é enorme, e o dano provocado no ecossistema é irreversível", explica o ambientalista Marcus Vinicius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão, que monitora a atividade econômica e seus impactos ambientais nas bacias hidrográficas dos principais rios mineiros pela Universidade Federal de Minas Gerais. "Qualquer ação a ser tomada agora é para mitigar os efeitos do impacto da lama." 
Antônio Cota/Diário do Rio Doce
Peixes do rio Doce, em Governador Valadares (MG), morreram com a chegada da lama. A prefeitura não recomenda o consumo dos animais
Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), estima-se que foram lançados 50 milhões de m³ de rejeito de mineração (o suficiente para encher 20 mil piscinas olímpicas). A lama atingiu diretamente o Gualaxo do Norte, afluente do rio Doce. A enxurrada avança pela calha do Doce, que corta cidades de Minas Gerais e Espírito Santo até desaguar no oceano Atlântico.
O grande montante de lama com rejeitos de minério de ferro e manganês está bloqueando o curso natural dos rios. Com isso, a água corrente começa a buscar alternativas para fluir, e a escolha pode não levar a um final feliz.
O novo caminho pode levar os rios à extinção. "Existe a possibilidade de o rio perder força e se dividir em lagoas", diz Missagia. 
As lagoas também podem morrer. "Além dos minérios de ferro, a lama trouxe consigo esgoto, pesticidas e até agrotóxicos das terras por onde passou. Essas substâncias aceleram a produção de algas e bactérias, que rapidamente cobrirão as lagoas, formando um tapete verde que impede a fotossíntese dentro d'água. Se não há fotossíntese, não há oxigênio. Sem oxigênio os animais, vegetais e bactérias não têm chance de sobreviver", explica.
De maneira alguma a natureza conseguirá retirar a lama sozinha
Regional
Valadares- Atualizado em: 11/11
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Retomada do abastecimento de água em Valadares 
pode durar dias
Valadares passa pelo maior drama do abastecimento hídrico de sua história. O volume de água 
do rio Doce
 já tratada pelo Saae acabou no início da noite desta terça-feira, e não há previsão de quando o serviço
 poderá ser feito novamente. Pelas últimas análises, a água do rio chega a 21.800 de turbidez (qualidade
do que é turvo), enquanto a resolução Conama limita a 100 o índice para tratamento.
Quanto ao ferro, a resolução permite 0.3, e em Valadares o rio está com 37, como informou o diretor-geral
do Saae, Omir Quintino, em entrevista nesta terça-feira. "Não tem nenhuma cidade de Mariana até aqui em
 que o rio já voltou à condição normal. No pico da pluma [resultado da interação entre massas de água de
diferentes densidades], a turbidez fica extremamente alta", afirmou.
Quintino ainda relatou que a lama está passando pelo Saae de Valadares 16 horas após o previsto com
relação a Baguari, quando com o percurso normal do rio leva 4 horas. "Ela é muito densa e acabou ficando
 na parte funda da Usina [de Baguari], e está saindo agora. Nossa água está totalmente interrompida.
Já fizemos as primeiras análises e não há nenhuma condição de tratamento dessa água. Então, não temos
 previsão. Pode durar uma semana e pode durar um mês. A água que temos só dá para até a noite desta
 terça-feira", informou, destacando que novas análises serão feitas em 

Regional
Baixo Guandu- Atualizado em: 12/11
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  1. Análise aponta presença de mercúrio, arsênio, ferro e chumbo na água do Rio Doce
A análise laboratorial das amostras da água do Rio Doce, coletada em
Minas Gerais, aponta a presença de metais pesados em concentração
 acima do aceitável. A informação foi confirmada pelo prefeito da cidade de
 Baixo Guandu, Neto Barros, no início da tarde desta quinta-feira (12).
Segundo o prefeito, foi detectada a presença de metais como mercúrio,
alumínio, ferro, chumbo, boro, bário, cobre, entre outros. "Para se ter uma ideia,
 a quantidade de arsênio encontrada na amostra foi de 2,6394 miligramas,
 sendo que o aceitável é de no máximo 0,01 miligrama", citou Barros.
 O prefeito disse ainda que são 100 km de material tóxico descendo pelo rio.
"Encontramos praticamente a tabela periódica inteira dentro da água. Quero ver
 o que o presidente da Vale vai fazer para ajudar todo o povo", disparou. Esta
semana, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Baixo Guandu enviou
 uma expedição a Minas Gerais para coletar amostras da água que está
descendo com a segunda enxurrada. A massa densa de lama foi encontrada
 pelos técnicos em Governador Valadares, a cerca de 200km da divisa com o
Espírito Santo. Desde o rompimento das barragens da Samarco na cidade
mineira de Mariana, na última quinta-feira, especialistas alertam para o impacto
 provocado pela chegada dos rejeitos ao Rio Doce.
Segundo Eduardo Duarte Marques, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil,
em Belo Horizonte (MG), o rejeito das barragens é predominantemente formado
 por substâncias inertes, só que o minério de ferro eventualmente pode conter
 porções de metais como arsênio, antimônio, zinco e cobre. "Em certos pontos
de extração do minério pode haver concentrações maiores desses metais – o que
tornaria a lama realmente prejudicial. No entanto, para saber a concentração,
será preciso fazer análises químicas", disse. O prefeito de Baixo Guandu diz que
o resultado da análise da água é extremamente preocupante.
Ele determinou, inclusive, que seja feito hoje ainda o bloqueio da estrada de
 ferro Vitória-Minas, para impedir o transporte de minério que passa pelo município.
No final da tarde, a prefeitura, segundo Neto Barros, vai colocar máquinas sobre
os trilhos para impedir a passagem do trem que leva o minério. "Precisamos de
respostas urgentes sobre o problema que atinge toda a região. Não vamos permitir
 qualquer atividade de mineração. Se não houve mobilização na cidade,
 as consequências poderão ser ainda mais graves", afirmou. (fonte:gazetaonline)

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